Apiaí

“O barro dá escondido. (...) Ele dá escondido, mesma coisa do ouro”, foi como a artesã Ana Gonçalves descreveu em 1989 a sua habilidade artística em cerâmica, na inscrição que está em uma placa no acervo da Casa do Artesão de Apiaí. Praticamente uma das maiores cidades do Alto Vale do Ribeira, Apiaí é um Município de Interesse Turístico - MIT desde junho de 2018, cuja importância regional está ligada tanto à produção de cimento industrial e cerâmica artística, como foi no passado, quando produziu jazidas de ouro. Mas é exatamente nesses quesitos ligados à sua história é que essa cidade paulista, com uma população de 24.226 habitantes (pelo IBGE de 2020) e localizada a 325 km de São Paulo, na Região Administrativa de Itapeva. mostra que sabe muito bem atrair turistas.

E não são poucas as atrações de Apiaí. A começar pela topografia acidentada com declives e planaltos, por ter muitas grutas e cachoeiras, a cidade é rodeada pela maior área remanescente de Mata Atlântica do País e sua região é declarada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Reserva da Biosfera do Patrimônio Mundial. O município está situado a 1050 m acima do nível do mar, sua riqueza paisagística se compõe de recursos naturais de rara beleza e não é à toa que é chamado de “O Portal da Mata Atlântica”. Apiaí tem clima frio, muito úmido, chamado de subtropical temperado marítimo, sendo que em apenas duas ocasiões os apiaienses chegaram a ver queda de neve (em 1942 e 1975).

 
Cachoeira Arapongas, 65m de altura, a mais alta do PETAR, com vista privilegiada para um cânion em meio à Mata Atlântica
 
Apiaí fica no ponto mais alto da Serra de Paranapiacaba, é uma das portas de entrada para o PETAR (o Parque Estadual Turístico do Alto Vale do Ribeira), que recebe 42 mil pessoas anualmente, onde há rios, cachoeiras, 474 cavernas, biodiversidade e esportes radicais em meio à Mata Atlântica para fazer a alegria de todos os visitantes.  Vale dizer que a mais alta do PETAR é a cachoeira Arapongas, com 65m de altura, encravada em um Vale com vista privilegiada para um cânion em meio à Mata Atlântica. Já no Parque Natural Municipal Morro do Ouro, de 570 hectares, há trilhas e mirantes, além de ruínas das antigas minas de exploração do ouro que começou a partir do século XVII. Bandeirantes exploradores fundaram a Villa de Apiahy que deu origem à cidade.


Já na cidade, os turistas podem contar com hotéis, pousadas, restaurantes e opções de compras de peças artesanais e comidas típicas da região. Um dos equipamentos turísticos da cidade, a Casa do Artesão possui acervo de mais de 570 obras em cerâmica feitas por moradores da zona rural, onde também se podem comprar peças utilitárias e decorativas e até compotas de doces. Trata-se, na verdade de um museu, que além de ter um valor histórico na própria construção, datada de 1901, a casa está ligada à história da cidade de vários modos: na Revolução Constitucionalista de 1932 servia como abrigo de feridos, depois se transformou num clube, onde se dançava nos dias de festas e era sede para a Sociedade de Amigos do Município e desde 1973 abriga o trabalho das famílias das ceramistas. Além das peças em cerâmica existem ainda outros artesanatos feitos em palha e taboa.

 
 
A Casa do Artesão, em local de valor histórico, possui um acervo de mais de 570 obras em cerâmica, palha e taboa
 
Conta a história que o nome Apiaí, em tupi-guarani, significa “rio dos índios” ou, ainda, “rio menino” e sua região foi desbravada pelo capitão-mor Francisco Xavier da Rocha, que veio de Minas Gerais com 150 escravos, quando um caçador de Itapetininga contou sobre a existência de ouro na nascente do rio Apiaí. O Morro do Ouro ficou sendo então o epicentro da garimpo a partir do século XVII. No início, o povoado se chamava Capoeiras (onde hoje está o distrito de Araçaíba), ganhando em 1770 o nome de Santo Antônio das Minas de Apiaí e, finalmente, Apiaí. O ouro deixou de ser explorado somente em 1942. Apiaí possui hoje uma Reserva Biológica Municipal de 2.247 alqueires de área, para preservar o remanescente florestal e possibilitar atividades de turismo educacional.


Como chegar

Para ir até Apiaí, saindo de São Paulo, é preciso acessar a SP-280 (Rodovia Castello Branco) até a saída 78; a SP-075 (Rodovia José Ermírio de Moraes) até a saída 7-B; a SP-091/270 (Rodovia Celso Charuri); a SP-270 (Rodovia Raposo Tavares); a SP-127 (Rodovia Francisco da Silva Pontes), vias urbanas de Capão Bonito e a SP-250 (Rodovia Sebastião Ferraz de Camargo Penteado) até a saída do km 321.



 
Mais informações: www.apiai.sp.gov.br