Cananeia

“Cananea, 1502”, assim está escrito no enorme mapa mundi formado no chão diante do Padrão dos Descobrimentos, no bairro de Belém, em Lisboa, mostrando as regiões do planeta onde as caravelas portuguesas aportaram, e lá está Cananéia como a única representante brasileira. Sendo estância turística, este fabuloso destino é um dos pontos mais paradisíacos do Litoral Sul paulista e se localiza a 262 km de São Paulo. Pequenina em população, com os seus 12,5 mil habitantes (pela contagem do IBGE de 2020), mas pulsante em natureza, em Cananéia predomina o bioma da Mata Atlântica, com trechos de mangues e restingas ao longo de toda a sua faixa litorânea. A cidade é uma das cinco integrantes da Região Turística Lagamar (com Iguape, Ilha Comprida, Pedro de Toledo e Pariquera-Açu).

Embora considerada por alguns estudiosos como a cidade mais antiga do Brasil (uma vez que data cinco meses antes de janeiro de 1532, a fundação oficial de São Vicente), não há documentação que comprove esse fato a respeito de Cananéia. O que se sabe é que já havia habitantes europeus em sua região no começo do século XVI. Atualmente, o Centro Histórico cananeiense ainda preserva os estilos arquitetônicos do casario desde o período colonial até o final do século XIX. Por sua vez, as praias atraem de 30 a 100 mil turistas na alta temporada, sendo que na Ilha do Cardoso (localizada a 13,5 km do centro da cidade) há várias trilhas e cachoeiras, além de sítios arqueológicos. As festas, a culinária, a pesca e o artesanato também são atrativos locais, o que faz de Cananéia um sinônimo de turismo.



O Centro Histórico ainda preserva os estilos arquitetônicos do casario desde o período colonial até o final do século19

 
Localizada na fronteira com o litoral paranaense, Cananéia conta com sete praias – a da Comunidade Marujá, de Laje, do Fole Pequeno, da Comunidade, de Ipanema, da Comunidade Pereirinha (Itacuruçá) e a da Comunidade Pontal do Leste. Delas, a mais próxima do centro urbano é a bela praia do Pereirinha, portanto, a mais movimentada. Por sua área fazer parte do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, Pereirinha comporta apenas 1000 visitantes por dia e, na alta temporada, esse número é facilmente atingido ainda no horário da manhã. Já o Parque Estadual, criado em 1962, possui 22 mil hectares de Mata Atlântica preservada e nela o turista irá passear em meio à natureza bruta. Por tudo isso, Cananéia foi apontada pela revista “Condé Nast Traveler” como o melhor roteiro ecológico do mundo.
 
O turista que chega a Cananéia perceberá logo que se trata de um arquipélago que é formado pelas ilhas do Cardoso, Bom Abrigo, da Casca e a própria ilha de Cananéia, além de uma extensa área continental que conta com seis unidades de preservação ambiental. Seu centro urbano conserva uma área considerada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) como Patrimônio Histórico desde 1969. São diversos casarões restaurados e muitas ruínas que se encontram próximas à laguna, pela qual se tem acesso à Ilha Comprida, a cidade mais próxima. Cananéia ou “Maratayama” (em tupi, “Terra do Mar”), tem o seu núcleo urbano ocupando a parte oriental da ilha de mesmo nome, cercada por dois canais do oceano, formando a exuberante baía de Cananéia, onde o turista é acompanhado por golfinhos em seus passeios de barco.




A cachoeira do Mandira, com duas piscinas naturais e várias corredeiras, fica perto da Comunidade Quilombola do Mandira
 

Tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, Cananéia apresenta em seu Centro Histórico a Praça Martim Afonso de Souza, a Avenida Beira Mar e várias ruas preservadas, como a D. João III e a Pero Lopes. O casario de época foi em sua maioria construído sobre o alinhamento das vias públicas e as paredes laterais, sobre os limites dos terrenos. São edificações baixas, alinhadas, porém todas com beirais, quatro janelas, vários batentes ou ombreiras de pedra, sendo as primeiras construções de Cananéia aquelas localizadas na Rua Tristão Lobo. As paredes dessas casas eram construídas com pedras e argamassa composta de areia, cal de ostras retiradas dos sambaquis (antiquíssimos montes de conchas e mariscos com mais de oito mil anos, presentes na região) e óleo extraído de baleia.

Cananéia sabe receber o turista – é a capital gastronômica do Vale do Ribeira e também possui boa infraestrutura de hospedagem com hotéis, pousadas e casas para temporada. A cozinha colonial e os pratos personalizados internacionais ficam lado a lado na mesa dos restaurantes locais, principalmente na Festa do Mar de Cananéia, que geralmente acontece em junho. Este festival gastronômico prioriza pratos locais que têm como base peixes e frutos do mar, apresentando também ao visitante a cultura caiçara e, na ocasião, há shows musicais de artistas regionais e nacionais, exposições e oficinas. A Festa de São João Batista, o padroeiro da cidade, ocorre no dia 24 de junho. Já a procissão da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes acontece entre os dias 12 e 15 de agosto.

Curiosidades

•             Cananéia faz parte do Complexo Estuarino Lagamar que, em 1999, recebeu da UNESCO, o título de Patrimônio Natural da Humanidade, por conter a maior área de mangue preservada do País.
 
•             O primeiro nome de Cananéia, adotado a partir de 13 de julho de 1600, era Vila de São João Batista de Cananéia. Foi elevada à categoria de cidade em 1892, passando a se chamar apenas Cananéia em 1905.
 
•             A região de Cananéia era considerada o limite sul das terras portuguesas pelo Tratado de Tordesilhas, firmado em 1494. Existe um marco (um padrão), na ilha do Bom Abrigo, delimitando o fim das posses lusitanas e tudo o que havia mais a sul eram terras espanholas.
 
•             Em 24 de janeiro de 1502, chegou ao local a expedição exploratória de Gaspar de Lemos, tendo no comando o navegador italiano Américo Vespúcio, para demarcar e reivindicar as novas terras descobertas. Nesta viagem, estava também o degredado português Cosme Fernandes, que passou à História como o misterioso Bacharel de Cananéia.

•             Cananéia é um dos pontos-marcos do fabuloso Caminho de Peabiru, que unia as vilas de São Vicente e São Paulo de Piratininga ao Império Inca, no Peru.

Não deixe de ver

•             A Igreja de São João Batista, situada na praça central, construída pelos jesuítas em 1577 para servir de fortaleza contra invasores e piratas. Suas paredes são espessas, constituídas de calcário retirado de conchas e de óleo extraído da gordura de baleias caçadas ao redor da ilha do Bom Abrigo. Detalhe: o turista deve atentar para as frestas laterais da igreja, onde se colocavam as armas, no caso de revidar um ataque externo.

•             Por sua vez, o Museu Municipal Victor Sadowski, localizado à Rua Tristão Lobo, 78, tem acervo histórico e artístico que retrata o passado e a cultura de Cananéia. Detalhe: um atrativo especial do museu é o tubarão, o segundo maior do mundo, que foi pescado em 1992, tem 5,5 metros de comprimento e 3,5 toneladas. O animal encontra-se taxidermizado.

Como chegar


Para ir até Cananéia, saindo de São Paulo, é preciso acessar a BR-116 (Rodovia Régis Bittencourt) até a saída 464, a SP-226 (várias denominações) e a Estrada Pref José Herculano de Oliveira Rosa.


Mais informações: www.cananeia.sp.gov.br