Iguape

Em pleno Litoral Sul paulista, a partir da Ponte Laércio Ribeiro, vindo da Ilha Comprida e atravessando por cima do Mar Pequeno, o visitante pode avistar o casario urbano de Iguape, que de longe parece minúsculo, todo envolto pela grandiosidade da natureza, do verde, da serra e do braço de mar. A cidade que um dia foi vila e sede da primeira fundação de ouro do Brasil no século XVII, hoje é uma estância turística que fica a 201,6 km da Capital. Quando o turista chega ao perímetro urbano iguapense e alcança o centro histórico, com a Igreja Matriz e os casarões preservados, mal imagina que se trata do município com maior área territorial do Estado (tem 1.980.916 km²). Há praias, há morros, há recantos e há mistérios em Iguape que estão prontos para serem desvendados pelo visitante.

Não é à toa que Iguape é chamada de “A Princesa do Litoral”. O destino, que tem eventos famosos como o Carnaval de Rua (um dos mais vibrantes e procurados de São Paulo) ou a Festa do Senhor Bom Jesus de Iguape, onde a culinária, a tradição caiçara e a religiosidade se fundem, pertence à Região Turística Lagamar. A tranquilidade que se tem ao caminhar pela praça central e por suas ruas adjacentes, a Mata Atlântica, o clima quente, fazendo sol ou fazendo chuva, tudo compõe o mesmo conjunto das cidades do Lagamar, como Pariquera-Açu, Pedro de Toledo, Cananeia e Ilha Comprida (sendo que as duas últimas, ao lado de Iguape, são estâncias com alto fluxo de turistas).

 


O Costão da Juréia é a porta de entrada para a Trilha do Imperador, tem belas dunas e é muito procurado no verão

Em Iguape,  com 30.989 habitantes (pelo IBGE de 2020), há espaço para todos. Nos seus cinco dias de Carnaval, considerado um dos melhores do Estado, possuindo programação intensa com blocos de rua, 200 mil foliões são esperados anualmente. Para a Festa do Senhor Bom Jesus de Iguape, a cidade chega a receber 200 mil turistas e romeiros todos os anos, nessa que é uma das mais antigas tradições religiosas do País. Reza a História que o culto teve início em 1647, quando índios encontraram numa praia de Iguape uma escultura de madeira do Senhor Bom Jesus. Na Festa, ao longo da praça central e do casario de fachadas coloridas, barzinhos, pizzarias e restaurantes oferecem o melhor da gastronomia local, sendo que também há uma feira com comes e bebes e shows de música.

Para além do centro urbano iguapense, tombado em 2009 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Nacional, o turista vai se deparar com atrativos onde o esplendor da Mata Atlântica encontra as águas do oceano e dos rios. A Praia da Juréia, a única da cidade, fica na Estação Ecológica Juréia-Itatins, uma grande área de proteção ambiental, para quem gosta de trilhas e caminhadas e o lugar oferece quiosques e várias opções de pousadas. Iguape faz parte do Complexo Lagamar, área rica em manguezais e berçário para várias espécies marinhas, sendo considerada um dos cinco maiores criadouros de vida marinha do mundo. Aliás, isso faz jus ao nome Iguape, em tupi (de ‘y = água ou rio, kûá = enseada e pe = em), ou seja, “na enseada do rio”.


 


O Estuário Lagunar de Iguape é um dos cinco maiores criadouros de vida marinha do mundo e proporciona belos passeios
 

Não deixe de ver

• ...a Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves foi construída em pedra portuguesa, argamassa e óleo de baleia entre os séculos XVIII e XIX. Entre as imagens nela encontradas, estão as dos padroeiros do município, Nossa Senhora das Neves e Bom Jesus de Iguape.
• ...a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que fica a alguns quarteirões da Praça Matriz, foi construída por escravos no século XVII. Diante dela e das igrejas da cidade, romeiros percorrem em cavalgadas, fazem paradas, prestam homenagens e reverências para então seguir caminho.
• ...o Mercado de Artesanato e Cultura, situado na outra ponta da Praça Matriz de Iguape, possui artefatos, brinquedos e lembranças com tradição caiçara, além uma planta baixa da região, de como ela era nos tempos coloniais.
• ...o Morro do Espia, para os praticantes de trekking, é o ideal para se ter uma esplendorosa vista de Iguape, Ilha Comprida e o Mar Pequeno. A trilha ecológica tem dois quilômetros, o percurso tem duas horas de caminhada e subidas íngremes. Também é possível ir até lá de carro.

Curiosidades

• Iguape é uma das mais antigas cidades brasileiras. Há registros de europeus em sua região já em 1510. Assim, em 1938, uma comissão de historiadores, a serviço da Prefeitura, determinou a data oficial de fundação: três de dezembro de 1538, graças a documentos de época.
• O Morro do Espia, considerado o Parque Municipal de Iguape, tem esse nome porque era usado por vigias que controlavam a entrada e a saída de embarcações no porto e alertavam a população contra invasões de piratas.
• Historiadores registraram a presença humana em Iguape que data de mais de cinco mil anos. Os chamados “Homens do Sambaqui”, povos muito primitivos, não conheciam sequer o arco e flecha.
• Sambaqui é o nome dado a grandes morros de conchas, ostras e mariscos depositados ao longo de centenas ou milhares de anos no mesmo lugar e eram considerados lugares mágicos. Há muitos no litoral brasileiro.
• Em matéria de hospedagem, não há grande quantidade de hotéis, pousadas e casas para temporadas em Iguape, mas sempre podem ser encontradas opções bastante charmosas e por preços acessíveis.

Como chegar

Para ir até Iguape, saindo de São Paulo, é preciso acessar a BR-116 (Rodovia Régis Bittencourt) até Oliveira Barros, que fica entre Miracatu e Juquiá e depois seguir pela SP-222 ( Rodovia Prefeito Casemiro Teixeira) até encontrar Iguape.


 
Mais informações: www.iguape.sp.gov.br