Ilha Comprida

Uma cidade nascida para a máquina fotográfica. Seja ao embarcar no catamarã Maratayama em meio ao Lagamar para ir ao encontro dos golfinhos, seja do alto das dunas de Juruvaúva, com até 10 metros de altura, seja na mansidão caiçara da vila de Pedrinhas, a estância de Ilha Comprida, localizada a 209 km de São Paulo, preserva cenários ainda intocados pela presença humana. Não é à toa que tem esse nome. São 74 km de litoral dividido em diversas praias, com uma população de 11,4 mil habitantes (pelo IBGE de 2020) num território comprido e estreito – a área total de 192,09 km² com, no máximo, quatro quilômetros de largura em alguns pontos. A “ilha”, como a chamam seus moradores apaixonados pela beleza natural do local, é motivo de orgulho e muitas fotos.

O turista que passar uma temporada ali estará bem servido. Ilha Comprida tem boa oferta de pousadas que chega até mesmo a suprir a deficiência de sua vizinha Iguape, e há hospedagem para todos os gostos e bolsos. As pousadas vão brotar aos olhos do visitante que chega à cidade, mas é aconselhável sempre reservar acomodações, uma vez que o destino é muito procurado em qualquer época do ano. Motivos não faltam, seja para descanso, turismo de aventura ou ecoturismo.



O catamarã Maratayama percorre 200 km pelo Mar Pequeno até Cananéia com 76 passageiros por diversas paradas estonteantes


Ilha Comprida é uma das cidades do Litoral Sul e do Vale do Ribeira que fazem parte da Região Turística Lagamar, além de compor o Complexo Estuarino Lagunar de Iguape-Paranaguá, um dos maiores viveiros de peixes e crustáceos do Atlântico Sul. A estância, graças à sua importância ambiental, foi incluída pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (a UNESCO) como Reserva de Biosfera do Planeta. A cidade guarda uma das últimas áreas remanescentes de Mata Atlântica e um dos últimos ecossistemas não poluídos do litoral brasileiro. Enfim, 100% do seu território - com as praias, mangues, sítios arqueológicos, matas, dunas e espécies raras de aves - está incluído em Área de Proteção Ambiental (APA).

Para o visitante conhecer as famosas dunas de Ilha Comprida, é bom saber que elas se espalham ao longo da orla nas proximidades do Mar Pequeno, o braço de oceano que divide a cidade de suas vizinhas Iguape e Cananéia. As belas dunas do Balneário Araçá, no lado norte, têm 7,5 km de extensão e chegam a atingir dez metros de altura, e a praia possui vegetação de restinga, águas claras e boas ondas para surf. Além delas, outras dunas encontram-se no caminho do Boqueirão Sul, em grandes extensões, sendo que algumas terminam em lagoas. As majestosas e fofas dunas de Juruvaúva, por sua vez, situam-se de frente para o Atlântico, quase no meio do território da ilha e também chegam a dez metros de altura. O visual a partir delas impressiona.




Há muitas dunas por toda a extensão de Ilha Comprida e a duna de Juruvaúva chega a dez metros de altura

Os passeios são um aperitivo à parte, em Ilha Comprida. A começar pelo embarque no catamarã Maratayama, que leva 76 passageiros por quase 200 km de cenário natural, navegando a 45 km/h em meio às paisagens do Mar Pequeno até a região de Cananéia, mais a sul. Além de ver os botos no Pontal da Trincheira e da viagem rápida e confortável, o visitante pode contemplar do mirante da embarcação os cenários deslumbrantes da ilha, com paradas para banho de mar na praia do Boqueirão Sul e almoços em vilas caiçaras, como a de Pedrinhas. Outra pedida são as dunas intocadas dessa porção do litoral sul paulista, com trilhas de 3600 metros de extensão e atrativos naturais como os sambaquis, com idades entre dois e oito mil anos, compondo a paisagem.

Visitantes dão testemunhos sobre o que é passar fins de semana, feriados ou temporadas na cidade, lembrando que a ideia é deixar o carro na garagem para ir de bicicleta aos lugares. Caminhadas de manhã, à tarde ou em noites quentes são outra opção de passeio em Ilha Comprida, sendo que nas noites de Lua cheia, turistas chegam a relatar a beleza do mar com o brilho nas águas. Para dormir, a estância ganha pontos: o lugar é tranquilo, sossegado, com o barulho relaxante do mar nos ouvidos. Mesmo de moto, carro, jet ski, bicicleta ou mesmo a pé, não se pode deixar de lado a máquina fotográfica. A “ilha”, como chamam os seus moradores, proporciona ao turista lazer, praia, sol e passeios em lugares intocados como raras vezes se encontram no Brasil.

Curiosidades

• A história de Ilha Comprida se confunde com a de Iguape e Cananeia que, em período pré-colonial, já eram habitadas por degredados europeus aliados aos indígenas da região. Muitos desses degredados não eram exatamente prisioneiros, pois vários deles eram fugitivos das perseguições da Inquisição.

• Em 1938, o território de Ilha Comprida era dividido entre Iguape e Cananeia, que possuíam 70% e 30% de suas terras, respectivamente. A partir dos anos 1950, chegava-se à Ilha Comprida apenas de balsa, e por ponte somente 50 anos depois.

• Ilha Comprida foi emancipada em 1991. Chegou a ter denominações como Ilha do Mar Pequeno, Ilha Branca, Ilha Grande da Costa do Mar e Ilha do Candapuí. Nos anos 1980, começou o movimento por sua emancipação, o que aconteceu em cinco de março de 1992, data de fundação da cidade.

•  A Vila de Pedrinhas, que fica às margens do Mar Pequeno, começou a se desenvolver no início do século XX, com seu tradicional povoado de pescadores.

Não deixe de ir

• ...à vila de pescadores de Pedrinhas, que é uma das paradas do catamarã, sendo uma das opções turísticas mais singelas da ilha. O local é muito tranquilo e acolhedor, conhecido pela cachaça com cataia (uma bebida à base de erva, muito popular no Vale do Ribeira e no Litoral Sul paulista). Além do casario, há vendas onde se pode tomar um delicioso e completo café da tarde e apreciar a boa comida caseira típica. Há uma capela pequenina com muita história para contar, além de uma loja de artesanato com peças criadas pelas próprias artesãs locais.

• ...aos passeios do catamarã Maratayama, que partem da Marina Barrera, localizada à rua José Pacheco dos Santos, 2955, no Balneário Monte Carlo. Com ar condicionado, som ambiente e espaço no piso superior para observação de paisagens, há monitores ambientais que acompanham os visitantes por todo o trajeto, mostrando as belezas naturais do Lagamar paulista e paranaense.

• ...às várias trilhas que o visitante pode percorrer em Ilha Comprida, como a Juruvaúva/Pedrinhas, com 7.450 m de extensão e aproximadamente três horas de caminhada, além de outras como a Trilha Vila Nova / Sítio Arthur; a Trilha Dunas/Juruvaúva; a Trilha de Trincheira e a Trilha Maravilha (Mar-Aves-Ilha), da Ponta da Praia.

Como chegar

Para ir até Ilha Comprida, saindo de São Paulo, é preciso acessar a Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) em Miracatu, no Vale do Ribeira, para depois descer a SP-222 (Rodovia Prefeito Casimiro Teixeira). Já no litoral, será preciso atravessar a Ponte Prefeito Laércio Ribeiro, a partir de Iguape para chegar ao destino.

Mais informações : www.visiteilhacomprida.com.br